Outubro Rosa: Exames de rotina são essenciais para a prevenção

Nas últimas décadas, avanços no tratamento permitem taxas de cura superiores a 90%

Você já sabe, outubro é o mês que alerta para os cuidados com as mamas, prevenção e tratamento precoce do câncer de mama. Sempre assusta quando falamos nesta doença, mas as últimas décadas trouxeram inúmeros avanços no tratamento, permitindo que alcancemos taxas de cura superiores a 90%.

O sucesso do tratamento quando iniciado nos estágios iniciais levou à criação do Outubro Rosa, campanha que desde 1990 vem alertando a população mundial sobre a importância da realização de exames periódicos para a detecção precoce do câncer de mama e do acompanhamento de quaisquer alterações na região das mamas (seios e axilas).

– O Outubro Rosa envolve entidades públicas, privadas e a comunidade, chamando para a luta contra o câncer de mama. O número de exames e a procura por atendimento aumentam graças a esse apelo. Mas a campanha não envolve apenas exames, ela trata da importância da prevenção, que deve ser feita também com a adoção de hábitos saudáveis como moderado consumo de carne vermelha e carboidratos, aumento na ingesta de frutas e verduras, além da atividade física regular são fundamentais para a prevenção e melhores índices de tratamento. Não fumar e baixíssimo consumo de álcool também são cuidados fundamentais.

– Não é novidade, mas agora temos dados objetivos da importância da perda e manutenção do peso, ao ponto de ser tão impactante quanto outras etapas do tratamento para evitar a recidiva da doença em quem já teve o câncer – explica a Dra. Maria Eduarda Meyer, médica oncologista do Centro Especializado de Oncologia de Florianópolis (CEOF).

Primeiros passos para a detecção precoce do câncer de mama

– Apesar de muito se falar de autoexame, ele não é considerado rastreio, pois não é capaz de detectar lesões pré-malignas ou tumores iniciais muito pequenos. Porém, ele não deixa de ter sua importância para a mulher conhecer seu corpo e detectar mudanças que devem a alertar para procurar seu médico. Não há uma periodicidade ideal para a realização do autoexame – salienta Dra. Maria Eduarda Meyer.

– Alguns sinais devem chamar atenção: nódulos palpáveis e geralmente indolores, secreção pelo mamilo, alteração na da pele da mama, inversão do mamilo, abaulamento ou assimetrias nas mamas. Qualquer alteração na mama deve ser examinada por um médico, para determinar se é benigna ou não e se pode implicar em risco para desenvolver câncer – ressalta a oncologista.

Mamografia é importante para o diagnóstico

A mamografia é um exame de imagem em que cada mama é comprimida entre placas de acrílico, para que seja examinada por raio-x. É o principal exame para o diagnóstico de câncer de mama, por ser o mais eficiente para detectar, também, nódulos muito pequenos. Conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), todas as mulheres com mais de 40 anos devem fazer a mamografia anualmente.

A realização da mamografia para o diagnóstico e tratamento do câncer de mama é tão importante que a sua realização é assegurada por lei. Segundo a Lei Federal 11.664, todas as mulheres com mais de 40 anos têm o direito de fazer uma mamografia anualmente.

– Mulheres com história familiar de câncer de mama em idade jovem (abaixo 50 anos) e irradiação prévia tórax, devem iniciar mais precocemente seus exames, pois são consideradas grupo de maior risco para desenvolver a doença. Hoje conseguimos através de avaliação genética pesquisar a presença de uma mutação que predisponha a paciente ao desenvolvimento de tumores. Neste grupo de pacientes há exames periódicos diferentes dos recomendados para a população em geral e, algumas possibilidades de tratamentos cirúrgicos ou medicamentosos capazes de reduzir risco da doença. No CEOF dispomos de consulta geneticista focado em oncogenética e seguimento especializado para este grupo de pacientes – explica Dra. Maria Eduarda Meyer.

Atendimento com equipes multidisciplinares aumenta as chances de cura

Após o diagnóstico positivo, a mamografia oferece informações sobre as características do tumor, como presença ou não de múltiplos focos e extensão regional ou bilateralidade. Esses fatores são fundamentais para que a equipe médica aponte o melhor tratamento terapêutico para cada caso.

O tratamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, composta de médicos com diferentes especializações, além de psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos e fisioterapeutas. Juntos, esses profissionais podem oferecer mais conforto e bem-estar às pacientes.

– Após a detecção de um nódulo suspeito em exames de imagem, o médico solicita uma biopsia para confirmar o diagnóstico do câncer de mama. O próximo passo é procurar um profissional de confiança, que irá esclarecer as dúvidas, acompanhar e definir o melhor tratamento. O tratamento do câncer de mama é baseado no estágio da doença, no tipo de câncer – existem diferentes subtipos que se diferenciam tanto pela sua evolução / agressividade, bem como na resposta a tratamentos distintos – particularidades de cada paciente. O tratamento, cada vez mais, é individualizado e definido por uma equipe multidisciplinar com mastologista, oncologista, radioterapeuta, radiologista, cirurgião plástico, patologista, e tantos outros profissionais que atuam no tratamento de suporte a essas pacientes – pontua a especialista do Centro Especializado de Oncologia de Florianópolis.

No CEOF, segundo a médica, são realizadas reuniões semanais com equipe multidisciplinar para definir quais os melhores tratamentos para cada paciente, como tipo e momento da cirurgia, indicação de quimioterapia, radioterapia ou hormonioterapia. A evolução no entendimento da biologia do câncer de mama e o diagnóstico de tumores mais iniciais com os exames de rastreamento, permite realizar hoje cirurgias menores, e tratamentos oncológicos com menos toxicidade, como por exemplo a omissão da quimioterapia para algumas pacientes.

Fonte: NSC Total


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